Avenida Brasil
que cruza o Rio de Janeiro
das zonas mais pobres.
Avenida Brasil
dos cachorros mortos
de acidentes sinistros
e horas perdidas.
Avenida Brasil
da miséria
da humanidade morta.
Avenida Brasil
da longa estrada de luta
que pode levar a um lugar melhor.
sábado, 2 de abril de 2011
domingo, 9 de janeiro de 2011
Desintegração de velhos padrões de relacionamento social humano
"A terceira transformação, em certos aspectos a mais perturbadora, é a desintegração de velhos padrões de relacionamento social humano, e com ela, aliás, a quebra dos elos entre as gerações, quer dizer, entre passado e presente. Isso ficou muito evidente nos países mais desenvolvidos da versão ocidental de capitalismo, onde predominaram os valores de um individualismo associal absoluto, tanto nas ideologias oficiais como nas não oficiais, embora muitas vezes aqueles que defendem esses valores deplorem suas consequências sociais. Apesar disso, encontravam-se as mesmas tendências em outras partes, reforçadas pela erosão das sociedades e religiões tradicionais e também pela destruição, ou autodestruição, das sociedades do 'socialismo real'. (...)
Na prática, a nova sociedade operou não pela destruição maciça de tudo o que herdara da velha sociedade, mas adaptando seletivamente a herança do passado para uso próprio. Não há 'enigma sociológico' na disposição da sociedade burguesa de introduzir 'um individualismo radical na economia e (...) despedaçar todas as relações sociais ao fazê-lo' (isto é, sempre que atrapalhassem), temendo ao mesmo tempo o 'individualismo experimental radical' na cultura (ou no campo do comportamento e da moralidade) (...). A maneira mais eficaz de construir uma economia industrial baseada na empresa privada era combiná-la com motivações que nada tivessem a ver com a lógica do livre mercado - por exemplo com a ética protestante; com a abstenção da satisfação imediata; com a ética do trabalho árduo; com a noção de dever e confiança familiar; mas decerto não com a antinômica rebelião dos indivíduos."
HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos. SP: Companhia das Letras, 2001. p. 24-25.
Na prática, a nova sociedade operou não pela destruição maciça de tudo o que herdara da velha sociedade, mas adaptando seletivamente a herança do passado para uso próprio. Não há 'enigma sociológico' na disposição da sociedade burguesa de introduzir 'um individualismo radical na economia e (...) despedaçar todas as relações sociais ao fazê-lo' (isto é, sempre que atrapalhassem), temendo ao mesmo tempo o 'individualismo experimental radical' na cultura (ou no campo do comportamento e da moralidade) (...). A maneira mais eficaz de construir uma economia industrial baseada na empresa privada era combiná-la com motivações que nada tivessem a ver com a lógica do livre mercado - por exemplo com a ética protestante; com a abstenção da satisfação imediata; com a ética do trabalho árduo; com a noção de dever e confiança familiar; mas decerto não com a antinômica rebelião dos indivíduos."
HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos. SP: Companhia das Letras, 2001. p. 24-25.
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O ressurgimento da tortura
"Não é que ignoremos o ressurgimento da tortura, ou mesmo do assassinato, como parte normal das operações de segurança pública nos Estados modernos, mas é provável que não avaliemos com precisão a dramática reviravolta implícita, considerando-se a longa era de desenvolvimento jurídico, desde a primeira abolição formal da tortura num país ocidental, na década de 1880, até 1914."
HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos. SP: Companhia das Letras, 2001. p. 23.
HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos. SP: Companhia das Letras, 2001. p. 23.
Padrões de barbarismo
"Visto que este século nos ensinou e continua a ensinar que os seres humanos podem aprender a viver nas condições mais brutalizadas e teoricamente intoleráveis, não é fácil apreender a extensão do regresso, por desgraça cada vez mais rápido, ao que nossos ancestrais do século XIX teriam chamado padrões de barbarismo."
HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos. SP: Companhia das Letras, 2001. p.22.
HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos. SP: Companhia das Letras, 2001. p.22.
sábado, 8 de janeiro de 2011
Sobre a história
"A única generalização cem por cento segura sobre a história é aquela que diz que enquanto houver raça humana haverá história."
*Seria melhor "humanidade" em vez de "raça humana", para mim, mas foi a opção da tradução.
HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos. SP: Companhia das Letras, 2001. p. 16.
*Seria melhor "humanidade" em vez de "raça humana", para mim, mas foi a opção da tradução.
HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos. SP: Companhia das Letras, 2001. p. 16.
Presente contínuo
Para voltar a movimentar o blog, vou postar alguns bons trechos da introdução de Era dos extremos (Eric Hobsbawm) - "O século: vista aérea".
"Quase todos os jovens de hoje crescem numa espécie de presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que vivem."
HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos. SP: Companhia das Letras, 2001. p. 13.
"Quase todos os jovens de hoje crescem numa espécie de presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que vivem."
HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos. SP: Companhia das Letras, 2001. p. 13.
sábado, 4 de setembro de 2010
Coisas da terra
Todas as coisas de que falo estão na cidade
...entre o céu e a terra.
São todas elas coisas perecíveis
...e eternas como o teu sorriso
...a palavra solidária
...minha mão aberta
ou este esquecido cheiro de cabelo
...que volta
...e acende sua flama inesperada
no coração de maio.
Todas as coisas de que falo são de carne
...como o verão e o salário.
Mortalmente inseridas no tempo,
estão dispersas como o ar
no mercado, nas oficinas,
nas ruas, nos hotéis de viagem.
...São coisas, todas elas,
...cotidianas, como bocas
...e mãos, sonhos, greves,
...denúncias,
acidentes de trabalho e do amor. Coisas,
...de que falam os jornais
...às vezes tão rudes
...às vezes tão escuras
que mesmo a poesia as ilumina com dificuldade.
...Mas é nelas que te vejo pulsando,
...mundo novo,
ainda em estado de soluços e esperança.
(Ferreira Gullar, Dentro da noite veloz)
...entre o céu e a terra.
São todas elas coisas perecíveis
...e eternas como o teu sorriso
...a palavra solidária
...minha mão aberta
ou este esquecido cheiro de cabelo
...que volta
...e acende sua flama inesperada
no coração de maio.
Todas as coisas de que falo são de carne
...como o verão e o salário.
Mortalmente inseridas no tempo,
estão dispersas como o ar
no mercado, nas oficinas,
nas ruas, nos hotéis de viagem.
...São coisas, todas elas,
...cotidianas, como bocas
...e mãos, sonhos, greves,
...denúncias,
acidentes de trabalho e do amor. Coisas,
...de que falam os jornais
...às vezes tão rudes
...às vezes tão escuras
que mesmo a poesia as ilumina com dificuldade.
...Mas é nelas que te vejo pulsando,
...mundo novo,
ainda em estado de soluços e esperança.
(Ferreira Gullar, Dentro da noite veloz)
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