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sexta-feira, 9 de abril de 2010

As chuvas, o proletariado e a responsabilidade de Lula, Cabral e Paes na tragédia do Rio de Janeiro


No início da noite de segunda-feira, 5 de abril, várias cidades do Estado do Rio de Janeiro sofreram com as intensas chuvas. Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo e outras cidades pararam por conta dos estragos produzidos por tanta água. Os mortos confirmados já são quase duzentos, até o momento. Outras centenas ou milhares - este número é ainda mais impreciso - estão desabrigados.

Neste momento, é necessário apontar os responsáveis por tamanha tragédia. A imensa maioria dos que mais sofreram com o temporal é a parte dos mais pobres trabalhadores que moram nas favelas, mais especificamente nos locais que apresentam riscos de desabamento. O que sabemos é: moram nestes locais porque são a parte mais proletarizada da população, porque compõem o setor da classe trabalhadora mais afetado pelo desemprego e pela super-exploração do trabalho, porque seus salários não permitem mais que estabelecer a moradia em local tão arriscado! Jamais porque são “loucos, irresponsáveis e suicidas”, como afirma o governador do Estado do RJ, Sergio Cabral/PMDB, de forma absolutamente desumana e descompromissada com as condições de vida da classe trabalhadora.

O prefeito Eduardo Paes/PMDB preferiu culpar a natureza e sua tremenda força, eximindo-se de toda a responsabilidade – assim como é responsabilidade de Cabral e Lula – com a realização de políticas públicas que atendam aos interesses de moradia mais imediatos desses trabalhadores, como contenção de encostas, urbanização de favelas, sistema de drenagem etc. Fica nítido o descaso dos governantes ao revelar a contenção de investimentos públicos, que acarreta a precarização de áreas como a Defesa Civil. As autoridades solicitam à população para não telefonar para a Defesa Civil em caso de situação que não tenha "tanta emergência".

O presidente Lula/PT seguiu a linha já traçada por seus grandes aliados no Rio de Janeiro. Concordando com Cabral, disse que se analisarmos “todas as enchentes brasileiras, elas atingem sempre as pessoas pobres, que moram em locais inadequados". Confirma, portanto, a tese de culpabilização das vítimas. Diz que “o mais importante nessa história é que precisamos conscientizar a população para que deixe as áreas de risco”, ou seja, que abandonem suas casas e tudo aquilo que conseguiram conquistar com seu duro trabalho, sem qualquer garantia de que estará tudo lá quando retornarem.

Lula diz ainda que as chuvas não preocupam seus interesses nos eventos de 2014 e 2016, pois “não chove todo dia, quando acontece uma desgraça, acontece; normalmente, os meses de junho e julho são mais tranqüilos”. Portanto, contanto que em junho e julho de 2014 e 2016, a cidade esteja preparada para receber a Copa e a Olimpíada, não importa o sofrimento da população nos outros dias. Até mesmo o falso argumento do “legado dos grandes eventos esportivos” utilizado pelos governantes e pelo grande capital para justificar a importância desses eventos na vida do proletariado – que não usufruirá de seu verniz – cai por terra de vez. Tudo estará funcionando em junho e julho de 2014/2016, com todos os bilhões que serão transferidos pelo Estado (governos federal, estadual e municipal) à burguesia nacional e internacional, nessa relação íntima entre governos e capital que inclui, por exemplo, o financiamento das campanhas eleitorais de PT e PSDB, os partidos brasileiros que mantêm a força da ordem burguesa no país atualmente.

Lula, Cabral e Paes são os verdadeiros culpados pela amplitude dos desastres, assim como os governos anteriores que serviram aos interesses burgueses e corruptos. Nada fizeram para melhorar estruturalmente as condições de vida e moradia do proletariado que vive em áreas que ameaçam sua própria sobrevivência e ainda culpam os mortos pela tragédia ocorrida.

É muito importante perceber os projetos sociais que estão em luta: de um lado, o projeto dos capitalistas e dos governos burgueses, que desejam expulsar os favelados de seu local de moradia, motivados por diversos interesses, como a expansão imobiliária nessas regiões (a que se relaciona a imagem da favela criminalizada e de fato alvo da violência policial, do tráfico e de milícias); de outro lado, o projeto do proletariado, que de imediato exige a melhoria de suas condições de vida e moradia, mas tem como objetivo final aquilo que possibilitará o fim das condições sociais que generalizam todas estas tragédias: o fim das condições sociais que causam sua miséria.

Fundamentalmente, são estas condições sociais (que fazem com que o proletariado recorra à moradia nos locais de risco) que precisam ser combatidas. Este é o horizonte necessário que não pode sair de vista de todos aqueles que sentem profundamente as perdas humanas e sociais e lamentam diante das terríveis reações dos governantes burgueses. O objetivo final de nossa luta, para além da necessária melhoria imediata das condições de vida dos trabalhadores que habitam as regiões mais precárias, precisa ser o fim da sociedade de classes!


Coletivo Marxista

segunda-feira, 8 de março de 2010

8 de março: lutar contra a opressão da mulher é lutar contra o capitalismo!


Declaração do Coletivo Marxista sobre o

Dia Internacional de Luta da Mulher

Neste ano de 2010 completam-se 100 anos da II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, ocasião em que a militante alemã Clara Zetkin propôs a criação oficial do Dia Internacional das Mulheres. Por mais que ainda haja diferentes versões sobre o momento exato da definição do dia 8 de março para a data e mesmo sobre o motivo da escolha desse dia, não há dúvidas de que sua origem remonta às lutas das mulheres trabalhadoras em todo o mundo. Marco da unificação do movimento feminista revolucionário internacional em sua luta contra o machismo e pela superação do capitalismo, o 8 de março é um dia de luta da mulher trabalhadora, e esse caráter deve ser defendido contra as permanentes tentativas da burguesia de se apropriar da data - seja para transformá-la em mais um dia para aquecer vendas ou, principalmente, difundir a ilusão conciliatória de que “as mulheres já conquistaram seu espaço” no capitalismo.

A situação das mulheres nos dias atuais só pode ser compreendida a partir de uma reflexão profunda sobre a estrutura do sistema em que vivemos. Diante das mais variadas expressões da brutalidade e violência capitalistas, não é preciso muito esforço para perceber que são as mulheres trabalhadoras, setor mais explorado da classe, que sofrem suas conseqüências com maior dureza. Ainda hoje, é comum que mulheres recebam salários mais baixos do que os homens, mesmo desempenhando funções iguais. Esse simples dado evidencia como o machismo é um instrumento necessário ao capitalismo, à medida que garante maiores taxas de lucro a partir da superexploração das mulheres.

É claro que, à exploração econômica, somam-se os estereótipos e convenções sociais que definem o lugar da mulher na sociedade com vistas à manutenção da estrutura dessa própria sociedade. Naturaliza-se a responsabilidade feminina pelas tarefas domésticas, naturalizam-se as duplas ou triplas jornadas a que estão submetidas as mulheres trabalhadoras diante da ausência de serviços públicos de qualidade, naturaliza-se a mercantilização de seus corpos e de suas vidas pela publicidade. Naturaliza-se a ideia de que à mulher compete o ambiente privado, seja através das formas mais tradicionais de submissão ao ambiente patriarcal ou através de sua roupagem ‘moderna’: a sua conversão em objeto de consumo.

Se pensarmos a situação das mulheres a partir de sua relação com a sociedade em que estão inseridas, entenderemos porque o debate de gênero só pode ser feito de maneira conseqüente se estiver aliado a uma perspectiva de classe. A superação da desigualdade entre homens e mulheres só pode ser alcançada através da superação da própria sociedade de classes. Igualmente, a luta feminista é um elemento indispensável para a luta contra o capitalismo, que expõe suas contradições de maneira decisiva e é capaz de dar respostas conseqüentes às mulheres que sofrem na pele as diárias manifestações da opressão.

Justamente por isso, as lutas feministas precisam ser inseridas na conjuntura, na concreticidade da luta de classes. Uma luta feminista conseqüente, classista e revolucionária passa, hoje, pelo necessário combate às reformas neoliberais do governo Lula/PT. As reformas que retiram direitos dos trabalhadores atingirão, sem dúvida, de forma ainda mais violenta, as mulheres. É precisamente a ausência de políticas públicas para saúde, educação, transporte, moradia e trabalho que impõe às mulheres duplas ou triplas jornadas de trabalho. Da mesma forma, a política externa de Lula/PT, que aplica os interesses imperialistas através do envio de tropas militares ao Haiti, não só é responsável pela manutenção da situação de miséria e exploração dos trabalhadores daquele país como também pela submissão de milhares de trabalhadoras a brutais (e notórias) situações de violência sexual praticadas pelos soldados invasores.

Não há como não citar, também, os inadmissíveis casos da ingerência do Estado sobre o corpo e a vida das mulheres. A luta pela legalização do aborto deve ser pauta das mobilizações feministas, em defesa da saúde de milhares de mulheres trabalhadoras que morrem ou ficam com graves seqüelas em decorrência da realização de abortos clandestinos. É uma dura batalha que o movimento deve travar, contra a moral católica e machista que naturaliza a maternidade e nega às mulheres o direito de decidir se e quando serão mães. E, mais uma vez, também nesse aspecto o governo Lula revela com quem está verdadeiramente comprometido. Em seu último ano de mandato, apresenta timidamente o debate sobre a legalização do aborto na terceira versão do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3), no que recua após a primeira manifestação contrária da Igreja Católica e demais setores conservadores. A candidata do governo à presidência, Dilma Roussef, já declarou, para acalmar os ânimos de seus aliados, que o tema a legalização do aborto não faz parte de seu programa de governo.

Diante de tantos elementos para denúncia da política opressora de Lula/PT na luta feminista, é obrigação da esquerda revolucionária imprimir um caráter abertamente anti-governista aos atos do 8 de março. Nós, do Coletivo Marxista, acreditamos que a luta feminista só tem sentido se inserida na luta de classes, e por isso chamamos todos os companheiros e companheiras a construir o feminismo revolucionário a partir da concreticidade da luta de classes, derrotando Lula/PT e suas políticas de ataque à mulher trabalhadora. Não queremos incluir as mulheres nesta sociedade cruel e opressora. Queremos, isso sim, que as mulheres se libertem destruindo esta sociedade e construindo o socialismo!

‘A nossa luta é todo dia! Somos mulheres, e não mercadoria!’

Coletivo Marxista


http://coletivomarxista.blogspot.com/2010/03/8-de-marco-lutar-contra-opressao-da.html