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domingo, 9 de janeiro de 2011

Desintegração de velhos padrões de relacionamento social humano

"A terceira transformação, em certos aspectos a mais perturbadora, é a desintegração de velhos padrões de relacionamento social humano, e com ela, aliás, a quebra dos elos entre as gerações, quer dizer, entre passado e presente. Isso ficou muito evidente nos países mais desenvolvidos da versão ocidental de capitalismo, onde predominaram os valores de um individualismo associal absoluto, tanto nas ideologias oficiais como nas não oficiais, embora muitas vezes aqueles que defendem esses valores deplorem suas consequências sociais. Apesar disso, encontravam-se as mesmas tendências em outras partes, reforçadas pela erosão das sociedades e religiões tradicionais e também pela destruição, ou autodestruição, das sociedades do 'socialismo real'. (...)

Na prática, a nova sociedade operou não pela destruição maciça de tudo o que herdara da velha sociedade, mas adaptando seletivamente a herança do passado para uso próprio. Não há 'enigma sociológico' na disposição da sociedade burguesa de introduzir 'um individualismo radical na economia e (...) despedaçar todas as relações sociais ao fazê-lo' (isto é, sempre que atrapalhassem), temendo ao mesmo tempo o 'individualismo experimental radical' na cultura (ou no campo do comportamento e da moralidade) (...). A maneira mais eficaz de construir uma economia industrial baseada na empresa privada era combiná-la com motivações que nada tivessem a ver com a lógica do livre mercado - por exemplo com a ética protestante; com a abstenção da satisfação imediata; com a ética do trabalho árduo; com a noção de dever e confiança familiar; mas decerto não com a antinômica rebelião dos indivíduos."

HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos. SP: Companhia das Letras, 2001. p. 24-25.

sábado, 19 de junho de 2010

82 anos do nascimento de Che Guevara

http://sindicalismomilitante.blogspot.com/

Nesta última segunda-feira, dia 14 de junho, Che - ou Ernesto Guevara de la Serna - completaria 82 anos. Como uma pequena homenagem, reproduzimos as palavras a seguir, certos de que sua vida e seu exemplo continuarão a inspirar as gerações futuras na luta contra a exploração, a injustiça e a miséria, mantendo viva a chama da liberdade.

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MST - O militante revolucionário Ernesto Che Guevara, que se tornou símbolo da luta pelo socialismo na América Latina e no mundo, completaria 82 anos nesta segunda-feira.

Ernesto Guevara de la Serna nasceu em 14 de junho de 1928, em Rosário, na Argentina. Foi o primeiro dos cinco filhos de Ernesto Lynch e Celia de la Serna y Llosa.

Por que recordar de Che? Porque ele dedicou toda sua vida para uma causa do povo. Deixou-nos um legado de solidariedade incondicional com todos os oprimidos e de compromisso com as lutas pela libertação dos povos. Grandioso, mas humilde.

Nunca permitiu que o transformassem em um mito. Se quisermos uma referência de um militante ou dirigente, sem dúvida, devemos olhar para Che. Ele é um exemplo de superação dos próprios limites. E o fez não por vaidade pessoal ou por inconseqüente heroísmo, mas por um profundo amor à humanidade.

Para homenagear a memória de Che, não basta conhecer sua biografia. É preciso seguir pela trilha dos seus passos, buscando a cada dia ser melhor no seu trabalho, na prática militante, nos estudos e na convivência.

Abaixo, leia poema de Eduardo Galeano em homenagem a Che.

O NASCEDOR

Por que será que o Che
Tem este perigoso costume
De seguir sempre renascendo?
Quanto mais o insultam,
O manipulam
O atraiçoam
Mais ele renasce.
Ele é o mais renascedor de todos!
Não será por que Che
Dizia o que pensava e fazia o que dizia?
Não será por isso que segue sendo
tão extraordinário,
Num mundo onde palavras
e atos tão raramente se encontram?
E quando se encontram
raramente se saúdam
Por que não se reconhecem?


Fonte: Diário Liberdade (http://www.diarioliberdade.com/) e MST (http://www.mst.org.br/)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

As chuvas, o proletariado e a responsabilidade de Lula, Cabral e Paes na tragédia do Rio de Janeiro


No início da noite de segunda-feira, 5 de abril, várias cidades do Estado do Rio de Janeiro sofreram com as intensas chuvas. Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo e outras cidades pararam por conta dos estragos produzidos por tanta água. Os mortos confirmados já são quase duzentos, até o momento. Outras centenas ou milhares - este número é ainda mais impreciso - estão desabrigados.

Neste momento, é necessário apontar os responsáveis por tamanha tragédia. A imensa maioria dos que mais sofreram com o temporal é a parte dos mais pobres trabalhadores que moram nas favelas, mais especificamente nos locais que apresentam riscos de desabamento. O que sabemos é: moram nestes locais porque são a parte mais proletarizada da população, porque compõem o setor da classe trabalhadora mais afetado pelo desemprego e pela super-exploração do trabalho, porque seus salários não permitem mais que estabelecer a moradia em local tão arriscado! Jamais porque são “loucos, irresponsáveis e suicidas”, como afirma o governador do Estado do RJ, Sergio Cabral/PMDB, de forma absolutamente desumana e descompromissada com as condições de vida da classe trabalhadora.

O prefeito Eduardo Paes/PMDB preferiu culpar a natureza e sua tremenda força, eximindo-se de toda a responsabilidade – assim como é responsabilidade de Cabral e Lula – com a realização de políticas públicas que atendam aos interesses de moradia mais imediatos desses trabalhadores, como contenção de encostas, urbanização de favelas, sistema de drenagem etc. Fica nítido o descaso dos governantes ao revelar a contenção de investimentos públicos, que acarreta a precarização de áreas como a Defesa Civil. As autoridades solicitam à população para não telefonar para a Defesa Civil em caso de situação que não tenha "tanta emergência".

O presidente Lula/PT seguiu a linha já traçada por seus grandes aliados no Rio de Janeiro. Concordando com Cabral, disse que se analisarmos “todas as enchentes brasileiras, elas atingem sempre as pessoas pobres, que moram em locais inadequados". Confirma, portanto, a tese de culpabilização das vítimas. Diz que “o mais importante nessa história é que precisamos conscientizar a população para que deixe as áreas de risco”, ou seja, que abandonem suas casas e tudo aquilo que conseguiram conquistar com seu duro trabalho, sem qualquer garantia de que estará tudo lá quando retornarem.

Lula diz ainda que as chuvas não preocupam seus interesses nos eventos de 2014 e 2016, pois “não chove todo dia, quando acontece uma desgraça, acontece; normalmente, os meses de junho e julho são mais tranqüilos”. Portanto, contanto que em junho e julho de 2014 e 2016, a cidade esteja preparada para receber a Copa e a Olimpíada, não importa o sofrimento da população nos outros dias. Até mesmo o falso argumento do “legado dos grandes eventos esportivos” utilizado pelos governantes e pelo grande capital para justificar a importância desses eventos na vida do proletariado – que não usufruirá de seu verniz – cai por terra de vez. Tudo estará funcionando em junho e julho de 2014/2016, com todos os bilhões que serão transferidos pelo Estado (governos federal, estadual e municipal) à burguesia nacional e internacional, nessa relação íntima entre governos e capital que inclui, por exemplo, o financiamento das campanhas eleitorais de PT e PSDB, os partidos brasileiros que mantêm a força da ordem burguesa no país atualmente.

Lula, Cabral e Paes são os verdadeiros culpados pela amplitude dos desastres, assim como os governos anteriores que serviram aos interesses burgueses e corruptos. Nada fizeram para melhorar estruturalmente as condições de vida e moradia do proletariado que vive em áreas que ameaçam sua própria sobrevivência e ainda culpam os mortos pela tragédia ocorrida.

É muito importante perceber os projetos sociais que estão em luta: de um lado, o projeto dos capitalistas e dos governos burgueses, que desejam expulsar os favelados de seu local de moradia, motivados por diversos interesses, como a expansão imobiliária nessas regiões (a que se relaciona a imagem da favela criminalizada e de fato alvo da violência policial, do tráfico e de milícias); de outro lado, o projeto do proletariado, que de imediato exige a melhoria de suas condições de vida e moradia, mas tem como objetivo final aquilo que possibilitará o fim das condições sociais que generalizam todas estas tragédias: o fim das condições sociais que causam sua miséria.

Fundamentalmente, são estas condições sociais (que fazem com que o proletariado recorra à moradia nos locais de risco) que precisam ser combatidas. Este é o horizonte necessário que não pode sair de vista de todos aqueles que sentem profundamente as perdas humanas e sociais e lamentam diante das terríveis reações dos governantes burgueses. O objetivo final de nossa luta, para além da necessária melhoria imediata das condições de vida dos trabalhadores que habitam as regiões mais precárias, precisa ser o fim da sociedade de classes!


Coletivo Marxista

segunda-feira, 1 de março de 2010

Glorioso campeão, o "chororô" dos rivais, Pet e o socialismo


“Na estrada dos louros
um facho de luz,
tua estrela solitária
te conduz.”
(Hino popular do Glorioso, de Lamartine Babo num dia inspirado)

O Botafogo, vencendo os campeões da primeira e da segundona, mais uma vez é o campeão da Taça Guanabara. Admito, com um futebol bastante feio, mas com muito mais vontade do que Flamengo – time de ressaca do carnaval, aparentemente ainda estava com alto teor alcoólico no sangue – e Vasco – assim como o Botafogo, de qualidade duvidosa. Parabéns ao Fogão!

Como muitos, eu também sempre desconfiei um pouco do Joel Santana. Neste momento, não há como negar que ele deu outra cara ao time do Botafogo, muito mais aguerrido do que tem sido nos últimos tempos. Talvez seja o início do fim da marca do “chororô” entre os botafoguenses, pois tenho a impressão de que essa foi muito influenciada pelo comando do Cuca, marca esta que os outros times posteriores do Bota não conseguiram abandonar completamente.

Por alguns dias sentimos e sentiremos o “chororô” de todos os que gozaram o Fogão por este nome – especialmente os flamenguistas, os mais fanáticos (no mau sentido) e esnobes. Beleza. Aprenderão e serão lembrados diversas vezes que não se ganha sempre. O Flamengo ainda conseguiu ganhar o jogo da Libertadores; vamos ver como irá daqui pra frente. Seria ótimo enfrentá-los na final do Taça Rio... Conhecendo bem, se perderem dirão que “é porque estamos priorizando a Libertadores, o Estadual não vale nada."

Pra finalizar (sobre o Bota), algumas citações que estão à altura do Glorioso (1):

“No Rio, a formação da identidade passa, também, pela eleição de um time de futebol. O poeta, fiel à sua infância, escolhe o Botafogo Futebol Clube. Não frequenta os estádios. Não lê o noticiário esportivo. Não ouve as transmissões pelo rádio. Mas, se perguntam seu time, afirma: ‘Botafogo’. Não se trata de uma paixão, mas de uma senha para a cidadania.”

Vinicius de Moraes

“Botafogo é um menino de rua perdido na poética dramaticidade do futebol.”

Paulo Mendes Campos

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Em meio ao "chororô" no Estadual, os flamenguistas podem, ao menos, ficar felizes por terem em seu time o jogador mais consciente do campeonato. O Pet defendendo o socialismo – mesmo que em poucas palavras, de forma bem simples, sem problematizar muito – na Globo (profundamente anti-comunista e anti-socialista), diante da Ana Maria Braga, foi bem bonito de se ver. Ele diz, sobre a Iugoslávia: “Quando nasci não tinha dificuldade nenhuma, era um país maravilha. A gente vivia um regime socialista, todo mundo bem, todo mundo trabalhando, tem trabalho, tem salário. Problemas aconteceram depois dos anos 80.”


Nota:

(1) Citações emprestadas de Botafogo: entre o céu e o inferno, do jornalista Sérgio Augusto, Ed. Ediouro, 2004.