sábado, 29 de outubro de 2011
Maracanã será privatizado até fevereiro de 2013, segundo reportagem do O Dia Online
Resta saber se a concessão pública ao setor privado funcionará como de costume: o Estado entra com os custos de reformas e grandes investimentos (dinheiro público), o capital fatura os lucros. A contrapartida destes governantes é a doação para as campanhas eleitorais dos políticos a serviço do capital e o dinheiro que vai "por fora".
Nota:
(1) http://odia.ig.com.br/portal/rio/html/2011/10/maracana_sera_privatizado_ate_fevereiro_de_2013_202426.html
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Odebrecht demite Comissão de Negociação dos Trabalhadores e põe policiais à paisana para perseguir operários
(Ex-presidente Lula, ex-primeira dama, presidente do Corinthians e representante da Odebrecht / Foto de Reinaldo Marques/Terra)Sabe-se que a Odebrecht é uma das principais financiadoras das campanhas de PT, PCdoB e o povo governista. Será que estes partidos vão defender os operários e enfrentar a empresa que sustenta suas campanhas?
Vale, também, como reflexão aos pretensos partidos de esquerda que julgam - ou melhor, declaram de forma oportunista - ser possível conciliar a realização de uma política independente e o financiamento do capital.
Notas:
(1) http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_noticia.php?codNoticia=9553/odebrecht-demite-comissao-de-negociacao-dos-trabalhadores-e-poe-policiais-a-paisana-para-perseguir-operarios
sábado, 15 de outubro de 2011
Medo e ousadia, Paulo Freire e Ira Shor
"Ira: (...) Se o professor não pensar em termos de graduabilidade, pode cair na cilada imobilizadora de dizer que ou tudo é mudado de uma só vez, ou não vale a pena tentar mudar nada. (...)
Paulo: (...) Uma das características de uma posição séria, na educação libertária, é, para mim, o estímulo à crítica que ultrapassa os muros da escola. Isto é, em última análise, ao criticar as escolas tradicionais, o que devemos criticar é o sistema capitalista que modelou essas escolas. A educação não criou as bases econômicas da sociedade. Não obstante, sendo modelada pela economia, a educação pode transformar-se numa força que influencia a vida econômica. Em termos dos limites da educação libertadora, devemos compreender o próprio subsistema da educação. Isto é, como se constitui ou se constrói a educação sistemática no quadro geral do desenvolvimento capitalista? Precisamos entender a natureza sistemática da educação para atuar eficientemente dentro do espaço das escolas.
Sabemos que não é a educação que modela a sociedade mas, ao contrário, a sociedade é que modela a educação segundo os interesses dos que detêm o poder. Se é assim, não podemos esperar que a educação seja a alavanca da transformação destes últimos. Seria ingênuo demais pedir à classe dirigente no poder que pusesse em prática um tipo de educação que pode atuar contra ela. (...)”
Medo e ousadia, Paulo Freire e Ira Shor.domingo, 4 de setembro de 2011
O Projeto de Lei de Paes que ataca o direito à aposentadoria dos servidores e os serviços públicos: ato na terça-feira (06/09), às 13h, na Cinelândia
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
ATENÇÃO PROFESSORES/SERVIDORES DA REDE MUNICIPAL DO RIO! Seminário da Reforma da Previdência e Assembleia amanhã!
ATENÇÃO PROFESSORES DA REDE MUNICIPAL!!! URGENTE! O governo Paes está determinado a atacar nosso direito à aposentadoria. Nos próximos dias, alguns projetos de lei apresentados pelo governo municipal serão votados pela Câmara de Vereadores. Precisamos nos mobilizar e preparar os protestos e possíveis paralisações que devem ser deliberados pela categoria em assembleia!
Amanhã, sábado, 13 de agosto, acontecerá o Seminário da Reforma da Previdência, na ACM, às 9h. Todos os detalhes dos projetos de lei que tramitam na Câmara serão explicados e debatidos pela categoria. Depois, às 14h, no mesmo local, acontecerá a assembleia da rede municipal, avaliando e determinando os passos a serem dados a partir da semana que vem. A ACM fica na Rua da Lapa, 86 (Lapa). Se não nos mexermos, o governo Paes atacará nossa aposentadoria! Vamos à luta!
sábado, 2 de abril de 2011
Avenida Brasil
que cruza o Rio de Janeiro
das zonas mais pobres.
Avenida Brasil
dos cachorros mortos
de acidentes sinistros
e horas perdidas.
Avenida Brasil
da miséria
da humanidade morta.
Avenida Brasil
da longa estrada de luta
que pode levar a um lugar melhor.
domingo, 9 de janeiro de 2011
Desintegração de velhos padrões de relacionamento social humano
Na prática, a nova sociedade operou não pela destruição maciça de tudo o que herdara da velha sociedade, mas adaptando seletivamente a herança do passado para uso próprio. Não há 'enigma sociológico' na disposição da sociedade burguesa de introduzir 'um individualismo radical na economia e (...) despedaçar todas as relações sociais ao fazê-lo' (isto é, sempre que atrapalhassem), temendo ao mesmo tempo o 'individualismo experimental radical' na cultura (ou no campo do comportamento e da moralidade) (...). A maneira mais eficaz de construir uma economia industrial baseada na empresa privada era combiná-la com motivações que nada tivessem a ver com a lógica do livre mercado - por exemplo com a ética protestante; com a abstenção da satisfação imediata; com a ética do trabalho árduo; com a noção de dever e confiança familiar; mas decerto não com a antinômica rebelião dos indivíduos."
HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos. SP: Companhia das Letras, 2001. p. 24-25.
O ressurgimento da tortura
HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos. SP: Companhia das Letras, 2001. p. 23.
Padrões de barbarismo
HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos. SP: Companhia das Letras, 2001. p.22.
sábado, 8 de janeiro de 2011
Sobre a história
*Seria melhor "humanidade" em vez de "raça humana", para mim, mas foi a opção da tradução.
HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos. SP: Companhia das Letras, 2001. p. 16.
Presente contínuo
"Quase todos os jovens de hoje crescem numa espécie de presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que vivem."
HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos. SP: Companhia das Letras, 2001. p. 13.
sábado, 4 de setembro de 2010
Coisas da terra
...entre o céu e a terra.
São todas elas coisas perecíveis
...e eternas como o teu sorriso
...a palavra solidária
...minha mão aberta
ou este esquecido cheiro de cabelo
...que volta
...e acende sua flama inesperada
no coração de maio.
Todas as coisas de que falo são de carne
...como o verão e o salário.
Mortalmente inseridas no tempo,
estão dispersas como o ar
no mercado, nas oficinas,
nas ruas, nos hotéis de viagem.
...São coisas, todas elas,
...cotidianas, como bocas
...e mãos, sonhos, greves,
...denúncias,
acidentes de trabalho e do amor. Coisas,
...de que falam os jornais
...às vezes tão rudes
...às vezes tão escuras
que mesmo a poesia as ilumina com dificuldade.
...Mas é nelas que te vejo pulsando,
...mundo novo,
ainda em estado de soluços e esperança.
(Ferreira Gullar, Dentro da noite veloz)
domingo, 11 de julho de 2010
As transformações da experiência docente, saber escolar e saber docente
O texto a seguir foi preparado em maio como um pequeno trabalho para o curso de especialização em Ensino de História do CESPEB, criado por um grupo de professores da Faculdade de Educação da UFRJ. Por esse motivo é que se refere diretamente aos professores de História e não aos outros professores e funcionários, também fundamentais para o sistema educacional, é óbvio.
“Os professores de História não são apenas necessários,
são fundamentais”[1]
Lembro do momento de transição abrupta da posição de aluno para professor. Além do estranhamento de assumir quatro turmas pela primeira vez (acompanhado de uma nítida sensação de não estar tão preparado para a docência) e começar a autoconstrução como professor, este sentimento relacionava-se a quase todos os componentes da nova realidade vivida. Fiquei intensamente impressionado com a situação real da educação pública destinada à classe trabalhadora – é evidente, um estudante universitário que se prepara para ser professor e tem origem na classe média ouve, vê e lê sobre a precariedade das condições da educação pública, mas nada se compara a viver dentro desta realidade. Estudei no Colégio Pedro II, uma escola pública, mas de caráter bastante diferenciado em relação às redes públicas estadual e municipal do Rio de Janeiro, o que não me permitia ter contato direto com esta realidade que encontrei em 2008[2].
Além das condições estruturais precárias, encontrei uma realidade em que aqueles que dão vida e sentido ao espaço da escola – alunos, professores e funcionários – estão desmotivados e desanimados, em sua maioria bastante distantes de qualquer perspectiva que compreenda a atuação na escola como produtora de conhecimento e modos de ser no mundo. A primeira reação (que, hoje, considero natural) de um professor recém-formado e pleno de vontade de conhecer a fundo o mundo da docência para aperfeiçoar-se nele é criar uma certa rejeição a esse posicionamento, especialmente em relação aos profissionais de Educação. No entanto, passados quase dois anos, compreendo o sentido dessa acomodação, apesar de lutar diariamente para que se torne consenso a noção de que essa acomodação resignada quanto à educação pública é, também, co-responsável pelos imensos problemas vividos no cotidiano escolar e na vida profissional dos professores.
Conhecer de perto a realidade dura da vida de boa parte dos alunos da Rede Municipal – especificamente dos alunos da escola em que leciono, E.M. Jardim Guararapes, localizada em Inhoaíba, e da E.M. Silvia de Araújo Toledo (em que lecionei em 2008 e 2009), em Paciência (Cezarão) – também foi transformador. Os impactos diversos da pobreza material, a violência intensa vivida nestas comunidades, os problemas familiares dos jovens e todas as conseqüências que trazem estes problemas para sua vida estudantil (profundo desânimo e desinteresse), para a escola e a sala de aula.
Hoje sei melhor qual deve ser minha posição dentro da escola e como devo nortear minha relação com os demais professores, funcionários da escola e com os alunos. Assumo a Educação como compromisso, e sei que não estamos sozinhos, são muitos os que batalham pela qualidade da educação pública. Neste sentido é que me posiciono, atualmente, no debate sobre as fases da carreira do professor[3]. Depois de um período inicial em que predominava o estranhamento, hoje reafirmo a certeza de seguir o caminho da docência pela vida.
Seguindo a ordem de exposição na Carta-Justificativa, apresentava nela minha perspectiva sobre a formação continuada. O que dizia não era muito profundo, pois não havia acumulado muitas reflexões sobre o tema. Mais importante era o que não foi escrito, mas foi apresentado na entrevista. Compreendia esta etapa da formação, o curso de Ensino de História do CESPEB, como a etapa em que de fato tornaria mais complexa minha concepção sobre a docência, sem valorizar tanto a experiência prática e teórica acumulada nos meses de magistério (e, ainda, atribuindo à formação inicial uma responsabilidade maior do que a devida pelos problemas enfrentados diante do início na prática docente).
Neste aspecto, o curso efetivamente apresentou-me uma nova perspectiva teórica sobre a experiência prática do professor e sua relação com o conhecimento científico com o qual tem contato direto em sua formação inicial universitária. Os conceitos de saber escolar e saber docente representam de forma mais elaborada essa perspectiva. O saber escolar, segundo Ana Maria Monteiro,
designa o conhecimento relacionado com o ‘saber científico’ que está sendo ensinado, porém distinto deste último. Ele é criado a partir das necessidades e injunções do processo educativo e, como tal, abrange questões que surgem no ato do ensino, envolve conhecimento científico e saber cotidiano, além dos aspectos socioculturais relativos a cada situação. O conceito contesta assim as concepções que, considerando apenas o conhecimento científico, desqualificam o trabalho dos professores e a educação escolar em geral.[4]
Portanto, valoriza-se a escola como espaço de produção de conhecimento, e não apenas como espaço de recepção dos conhecimentos produzidos pelos pesquisadores universitários. Quebra, em alguma medida, a relação unilateral e hierárquica afirmada por muitos que entendem a relação entre universidade e escola como uma relação entre conhecimento científico produzido na academia e seu espaço de divulgação, a escola.
Especificamente quanto ao conhecimento produzido pelos professores no ensino de sua disciplina científica, apresenta-se o conceito de saber docente:
o conceito de saber docente joga luz sobre o ato de ensinar, principalmente quanto aos saberes práticos considerados fundamentais para a atuação profissional. Como as situações de ensino e aprendizagem se renovam continuamente, o simples domínio dos conteúdos a serem ensinados não é suficiente. É necessário articular o conhecimento da matéria em questão com o conhecimento pedagógico, de modo a se estabelecer adequadamente e com certa autonomia, o que e como ensinar.[5]
O conceito de saber docente, deste modo, valoriza a relação dialética – vivida na prática cotidiana do professor – por meio da qual este precisa sempre criar um novo conhecimento a partir do conhecimento científico de sua disciplina e as necessidades apresentadas pelas diversas situações de ensino que devemos enfrentar. Por fim,
O emprego desses conceitos amplia imensamente o conhecimento do processo pedagógico, mostrando como os professores acumulam e combinam diferentes saberes disciplinares, além de sua própria experiência, de acordo com as necessidades de cada caso. Tais conceitos revelam a complexidade, insuspeitada por muitos, do processo educacional, inclusive por implicar escolhas metodológicas e teóricas; seleção de conteúdos, organização de textos, modo de explicar e ensinar os conceitos, de lidar com a noção de tempo, escolha de exemplos, de fontes documentais, de materiais didáticos, além das questões relativas ao desempenho em sala de aula: limitam-se a seguir propostas contidas nos livros didáticos? Adotam a ‘aula magistral’?[6]
Enfim: os conceitos de saber escolar e saber docente provocam reflexões importantes para a compreensão da profissão docente, assim como constituem um chão firme de valorização da produção de conhecimento da escola e do professor, a partir da qual, conscientemente ou não, os professores constroem seus caminhos. Em meio ao aparente caos econômico, cultural e político que vive nossa sociedade, reafirmo as palavras citadas na epígrafe: “os professores de História não são apenas necessários, são fundamentais”.
Referências bibliográficas
HUBERMAN, Michael, “O ciclo de vida profissional dos professores” in NÓVOA, Antonio (org.), Vida de professores, 2ª Ed., Porto: Porto Editora, 1995, p. 31-62.
MONTEIRO, Ana Maria, “Os professores de história ainda são necessários?” in Revista Nossa História, Ano I, Número 5, Março de 2004, pp. 85-87.
[1] MONTEIRO, Ana Maria, “Os professores de história ainda são necessários?” in Revista Nossa História, Ano I, Número 5, Março de 2004, p. 87.
[2] A discussão sobre o caráter do Colégio Pedro II e outras escolas públicas – em geral, federais – que atendem predominantemente a alunos de classe média é importante para a compreensão do projeto educacional do Estado e sua relação com as classes sociais, mas este não é o objetivo do atual trabalho.
[3] Este debate sobre o “estágio” do professor em sua carreira encontra-se em HUBERMAN, Michael, “O ciclo de vida profissional dos professores” in NÓVOA, Antonio (org.), Vida de professores, 2ª Ed., Porto: Porto Editora, 1995, p. 31-62.
[4] MONTEIRO, idem, p. 86.
[5] MONTEIRO, idem, p. 87.
sábado, 19 de junho de 2010
82 anos do nascimento de Che Guevara
Nesta última segunda-feira, dia 14 de junho, Che - ou Ernesto Guevara de la Serna - completaria 82 anos. Como uma pequena homenagem, reproduzimos as palavras a seguir, certos de que sua vida e seu exemplo continuarão a inspirar as gerações futuras na luta contra a exploração, a injustiça e a miséria, mantendo viva a chama da liberdade. |
| MST - O militante revolucionário Ernesto Che Guevara, que se tornou símbolo da luta pelo socialismo na América Latina e no mundo, completaria 82 anos nesta segunda-feira. Ernesto Guevara de la Serna nasceu em 14 de junho de 1928, em Rosário, na Argentina. Foi o primeiro dos cinco filhos de Ernesto Lynch e Celia de la Serna y Llosa. Fonte: Diário Liberdade (http://www.diarioliberdade.com/) e MST (http://www.mst.org.br/) |
sábado, 12 de junho de 2010
Comentários sobre a copa do mundo
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No jogo Argentina x Nigéria vi ao menos duas marcas bem conhecidas dos brasileiros estampadas nas placas de publicidade do gramado, Brahma (Ambev) e Seara. Em certa medida, essa novidade demonstra a atual posição do Brasil na economia capitalista mundial, no imperialismo - claro, o fato de as marcas dependerem bastante das vendas no Brasil não significa que seu capital seja predominantemente brasileiro.
A posição protagonista do Brasil também fica evidente, por exemplo, com a liderança exercida na Minustah (que tem início no governo Lula), a missão da ONU que é uma das principais razões da continuidade da miséria do Haiti. Por um lado, constitui um enorme aparato policial instalado para controlar e reprimir a população haitiana, por outro, incentiva e inunda o Haiti de ONGs que realizam, fundamentalmente, trabalhos de caridade. Essa combinação impede avanços na construção e consolidação do Estado haitiano e, ao mesmo tempo, busca neutralizar as iniciativas de organização dos haitianos que lutam pela transformação da realidade miserável do país.
A posição destacada na economia internacional não tem servido para combater significativamente a desigualdade social no Brasil. O "apartheid social" será mantido enquanto o projeto de sociedade hegemônico não preveja o fim das diferenças econômicas entre as classes sociais.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Novos Baianos
sexta-feira, 9 de abril de 2010
As chuvas, o proletariado e a responsabilidade de Lula, Cabral e Paes na tragédia do Rio de Janeiro
No início da noite de segunda-feira, 5 de abril, várias cidades do Estado do Rio de Janeiro sofreram com as intensas chuvas. Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo e outras cidades pararam por conta dos estragos produzidos por tanta água. Os mortos confirmados já são quase duzentos, até o momento. Outras centenas ou milhares - este número é ainda mais impreciso - estão desabrigados.
Neste momento, é necessário apontar os responsáveis por tamanha tragédia. A imensa maioria dos que mais sofreram com o temporal é a parte dos mais pobres trabalhadores que moram nas favelas, mais especificamente nos locais que apresentam riscos de desabamento. O que sabemos é: moram nestes locais porque são a parte mais proletarizada da população, porque compõem o setor da classe trabalhadora mais afetado pelo desemprego e pela super-exploração do trabalho, porque seus salários não permitem mais que estabelecer a moradia em local tão arriscado! Jamais porque são “loucos, irresponsáveis e suicidas”, como afirma o governador do Estado do RJ, Sergio Cabral/PMDB, de forma absolutamente desumana e descompromissada com as condições de vida da classe trabalhadora.
O prefeito Eduardo Paes/PMDB preferiu culpar a natureza e sua tremenda força, eximindo-se de toda a responsabilidade – assim como é responsabilidade de Cabral e Lula – com a realização de políticas públicas que atendam aos interesses de moradia mais imediatos desses trabalhadores, como contenção de encostas, urbanização de favelas, sistema de drenagem etc. Fica nítido o descaso dos governantes ao revelar a contenção de investimentos públicos, que acarreta a precarização de áreas como a Defesa Civil. As autoridades solicitam à população para não telefonar para a Defesa Civil em caso de situação que não tenha "tanta emergência".
O presidente Lula/PT seguiu a linha já traçada por seus grandes aliados no Rio de Janeiro. Concordando com Cabral, disse que se analisarmos “todas as enchentes brasileiras, elas atingem sempre as pessoas pobres, que moram em locais inadequados". Confirma, portanto, a tese de culpabilização das vítimas. Diz que “o mais importante nessa história é que precisamos conscientizar a população para que deixe as áreas de risco”, ou seja, que abandonem suas casas e tudo aquilo que conseguiram conquistar com seu duro trabalho, sem qualquer garantia de que estará tudo lá quando retornarem.
Lula diz ainda que as chuvas não preocupam seus interesses nos eventos de 2014 e 2016, pois “não chove todo dia, quando acontece uma desgraça, acontece; normalmente, os meses de junho e julho são mais tranqüilos”. Portanto, contanto que em junho e julho de 2014 e 2016, a cidade esteja preparada para receber a Copa e a Olimpíada, não importa o sofrimento da população nos outros dias. Até mesmo o falso argumento do “legado dos grandes eventos esportivos” utilizado pelos governantes e pelo grande capital para justificar a importância desses eventos na vida do proletariado – que não usufruirá de seu verniz – cai por terra de vez. Tudo estará funcionando em junho e julho de 2014/2016, com todos os bilhões que serão transferidos pelo Estado (governos federal, estadual e municipal) à burguesia nacional e internacional, nessa relação íntima entre governos e capital que inclui, por exemplo, o financiamento das campanhas eleitorais de PT e PSDB, os partidos brasileiros que mantêm a força da ordem burguesa no país atualmente.
Lula, Cabral e Paes são os verdadeiros culpados pela amplitude dos desastres, assim como os governos anteriores que serviram aos interesses burgueses e corruptos. Nada fizeram para melhorar estruturalmente as condições de vida e moradia do proletariado que vive em áreas que ameaçam sua própria sobrevivência e ainda culpam os mortos pela tragédia ocorrida.
É muito importante perceber os projetos sociais que estão em luta: de um lado, o projeto dos capitalistas e dos governos burgueses, que desejam expulsar os favelados de seu local de moradia, motivados por diversos interesses, como a expansão imobiliária nessas regiões (a que se relaciona a imagem da favela criminalizada e de fato alvo da violência policial, do tráfico e de milícias); de outro lado, o projeto do proletariado, que de imediato exige a melhoria de suas condições de vida e moradia, mas tem como objetivo final aquilo que possibilitará o fim das condições sociais que generalizam todas estas tragédias: o fim das condições sociais que causam sua miséria.
Fundamentalmente, são estas condições sociais (que fazem com que o proletariado recorra à moradia nos locais de risco) que precisam ser combatidas. Este é o horizonte necessário que não pode sair de vista de todos aqueles que sentem profundamente as perdas humanas e sociais e lamentam diante das terríveis reações dos governantes burgueses. O objetivo final de nossa luta, para além da necessária melhoria imediata das condições de vida dos trabalhadores que habitam as regiões mais precárias, precisa ser o fim da sociedade de classes!
segunda-feira, 8 de março de 2010
8 de março: lutar contra a opressão da mulher é lutar contra o capitalismo!
Dia Internacional de Luta da Mulher
A situação das mulheres nos dias atuais só pode ser compreendida a partir de uma reflexão profunda sobre a estrutura do sistema em que vivemos. Diante das mais variadas expressões da brutalidade e violência capitalistas, não é preciso muito esforço para perceber que são as mulheres trabalhadoras, setor mais explorado da classe, que sofrem suas conseqüências com maior dureza. Ainda hoje, é comum que mulheres recebam salários mais baixos do que os homens, mesmo desempenhando funções iguais. Esse simples dado evidencia como o machismo é um instrumento necessário ao capitalismo, à medida que garante maiores taxas de lucro a partir da superexploração das mulheres.
É claro que, à exploração econômica, somam-se os estereótipos e convenções sociais que definem o lugar da mulher na sociedade com vistas à manutenção da estrutura dessa própria sociedade. Naturaliza-se a responsabilidade feminina pelas tarefas domésticas, naturalizam-se as duplas ou triplas jornadas a que estão submetidas as mulheres trabalhadoras diante da ausência de serviços públicos de qualidade, naturaliza-se a mercantilização de seus corpos e de suas vidas pela publicidade. Naturaliza-se a ideia de que à mulher compete o ambiente privado, seja através das formas mais tradicionais de submissão ao ambiente patriarcal ou através de sua roupagem ‘moderna’: a sua conversão em objeto de consumo.
Se pensarmos a situação das mulheres a partir de sua relação com a sociedade em que estão inseridas, entenderemos porque o debate de gênero só pode ser feito de maneira conseqüente se estiver aliado a uma perspectiva de classe. A superação da desigualdade entre homens e mulheres só pode ser alcançada através da superação da própria sociedade de classes. Igualmente, a luta feminista é um elemento indispensável para a luta contra o capitalismo, que expõe suas contradições de maneira decisiva e é capaz de dar respostas conseqüentes às mulheres que sofrem na pele as diárias manifestações da opressão.
Justamente por isso, as lutas feministas precisam ser inseridas na conjuntura, na concreticidade da luta de classes. Uma luta feminista conseqüente, classista e revolucionária passa, hoje, pelo necessário combate às reformas neoliberais do governo Lula/PT. As reformas que retiram direitos dos trabalhadores atingirão, sem dúvida, de forma ainda mais violenta, as mulheres. É precisamente a ausência de políticas públicas para saúde, educação, transporte, moradia e trabalho que impõe às mulheres duplas ou triplas jornadas de trabalho. Da mesma forma, a política externa de Lula/PT, que aplica os interesses imperialistas através do envio de tropas militares ao Haiti, não só é responsável pela manutenção da situação de miséria e exploração dos trabalhadores daquele país como também pela submissão de milhares de trabalhadoras a brutais (e notórias) situações de violência sexual praticadas pelos soldados invasores.
Não há como não citar, também, os inadmissíveis casos da ingerência do Estado sobre o corpo e a vida das mulheres. A luta pela legalização do aborto deve ser pauta das mobilizações feministas, em defesa da saúde de milhares de mulheres trabalhadoras que morrem ou ficam com graves seqüelas em decorrência da realização de abortos clandestinos. É uma dura batalha que o movimento deve travar, contra a moral católica e machista que naturaliza a maternidade e nega às mulheres o direito de decidir se e quando serão mães. E, mais uma vez, também nesse aspecto o governo Lula revela com quem está verdadeiramente comprometido. Em seu último ano de mandato, apresenta timidamente o debate sobre a legalização do aborto na terceira versão do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3), no que recua após a primeira manifestação contrária da Igreja Católica e demais setores conservadores. A candidata do governo à presidência, Dilma Roussef, já declarou, para acalmar os ânimos de seus aliados, que o tema a legalização do aborto não faz parte de seu programa de governo.
Diante de tantos elementos para denúncia da política opressora de Lula/PT na luta feminista, é obrigação da esquerda revolucionária imprimir um caráter abertamente anti-governista aos atos do 8 de março. Nós, do Coletivo Marxista, acreditamos que a luta feminista só tem sentido se inserida na luta de classes, e por isso chamamos todos os companheiros e companheiras a construir o feminismo revolucionário a partir da concreticidade da luta de classes, derrotando Lula/PT e suas políticas de ataque à mulher trabalhadora. Não queremos incluir as mulheres nesta sociedade cruel e opressora. Queremos, isso sim, que as mulheres se libertem destruindo esta sociedade e construindo o socialismo!
Coletivo Marxista
http://coletivomarxista.blogspot.com/2010/03/8-de-marco-lutar-contra-opressao-da.html
sábado, 6 de março de 2010
"Calma, é só um treinamento"

O mito Obama
Notas:
(1) http://www.marxists.org/portugues/lenin/1916/imperialismo/cap5.htm (grifos meus)
(2) http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4496